Em 2024 eu tomei coragem e fiz algo que Deus já me pedia há um bom tempo: ficar sem Instagram. No começo eu não coloquei como meta ficar um ano longe porque tinha medo de não conseguir, e não queria fazer um voto com Deus que eu não pudesse cumprir. Mas, os meses foram passando e fui vendo que era possível ficar um ano sem Instagram, e que era tão possível que eu quase nem voltei mais.
Como foram os primeiros meses sem Instagram
Durante esses doze meses off da tão amada e viciante rede social que é o Instagram, eu tive vários momentos. No começo, o que mais senti foi a paz mental. A paz de não saber da vida de ninguém, de não sentir a obrigação de comentar e curtir fotos de amigos ou do trabalho. A paz de ter a minha mente mais vazia e sem tantas informações, que no fim, são irrelevantes.
Após esse primeiro momento de paz, comecei a sentir falta do Instagram, bateu a curiosidade sobre o que as pessoas estavam fazendo, não as pessoas próximas a mim, mas pessoas que só conheço no online ou que um dia já foram próximas. Aquelas pessoas que eu só sei da vida delas por causa do Instagram. E, por três vezes, eu pedi o celular do meu esposo para me atualizar um pouco.
Logo nos primeiros meses, para a minha surpresa, o celular não deixou de ser uma extensão do meu corpo que eu levo para todos os lugares e cômodos da casa. Eu continuei carregando o celular por onde fosse, e passei a mexer muito mais no Youtube. Os shorts, que eu nunca olhava, passaram a consumir boa parte do meu tempo, e eu precisei me policiar melhor. Afinal, ficar sem Instagram por um ano era para me deixar off e não para trocar uma rede social por outra.
Eu me mantive sem twitter até março, mas teve as inundações no Rio Grande do Sul, e eu me senti muito fora do mundo por não estar sabendo de nada. Então, voltei a usar o Twitter (sim gente, eu não consigo falar X). Mas, essa rede social nunca foi um problema para mim, então consegui usar de forma saudável. Eu não abro o app todos os dias, e quando faço é por pouquíssimo tempo.
Primeiras percepções de ficar off
Durante esse um ano sem Instagram, eu senti que eu vivi muito mais. Minha cabeça teve paz, eu me senti menos ansiosa e me comparei muitíssimo menos. Senti felicidade pela minha vida mesmo em dias ordinários e sem nada além da rotina. As pequenas coisas que eu fazia no dia já me davam a sensação de dever cumprido. Algo que com o Instagram era difícil, pois se eu estava me sentindo bem, logo via algum story e já me comparava, sentindo que eu não tinha feito nada e que a minha vida não estava sendo realmente vivida. Algo que sempre tive medo: de não aproveitar o tempo que tenho.
Eu pude pensar mais em mim, na minha vida, nos meus projetos, e ter tempo para executar coisas que eu queria a muito tempo, mas que sempre postergava, como esse site. Em fevereiro eu finalmente comprei o domínio e nos meses seguintes fui ajeitando. Em setembro fiz uma sessão de fotos com meu fotógrafo particular (meu esposo hahaha) e deixei o site visualmente do jeito que eu queria.
Eu também pude viver doze longos meses sem a necessidade de estar presente digitalmente, sem precisar curtir fotos, comentar ou apoiar alguém online. Pode parecer algo pequeno, mas me deu muita paz mental não ter essa pressão e obrigação social. E, por não estar no mundo digital, eu não vi muita coisa, por exemplo, eventos que eu não fui convidada. E isso protegeu o meu coração de me chatear por coisas pequenas, que no fim, não alteram em nada a amizade e o carinho das pessoas por mim e de mim por elas.
Desse tempo todo sem Instagram, o que eu mais senti falta foi quando queria pesquisar algum serviço, por exemplo: maquiagem, tatuadores, aluguel de vestidos. Eu pesquisava no Google e o melhor resultado era o perfil do Instagram. Essa rede realmente se tornou uma necessidade para os profissionais. E isso foi o que mais me fez falta em estar sem insta.
E, coincidentemente ou não, o ano que fiquei sem Instagram foi também o ano que eu mais li a Bíblia e tive (até então) o meu melhor ano espiritual. Em, 2024 eu me senti mais perto de Deus, fiz do meu tempo com Ele uma real prioridade. Li o Novo Testamento inteiro e parte do Antigo, orei muito mais, dancei e conversei com Deus em vários momentos. Foi um ano leve, porque eu estava mais conectada com o meu Deus.
Como foi voltar após um ano sem Instagram
Finalmente, quando voltei, no dia 03 de janeiro de 2025, o primeiro sentimento foi “que rede social mais besta”. Tudo parecia brega e sem sentido, a necessidade de postar tantas fotos e vídeos, mostrar a minha vida e acompanhar a vida de outros. Eu olhei os stories e pensei “por que um dia eu já fiz isso, qual o sentido?”.
No primeiro dia eu quase nem mexi no app, de tão sem graça que foi. Mas, no dia seguinte, logo já caí nos velhos hábitos e compartilhei muitos stories do casamento da minha cunhada, e até quase postei no feed as fotos do casório. Ou seja, tudo o que critiquei no dia anterior, eu fui lá e fiz. Tem coisas que nem 365 dias longe resolvem, é preciso refletir sobre nossas ações diariamente.
Ao voltar eu me atualizei da vida das pessoas, e foi aquela uma enxurrada de “nossa, fulana casou”, “nossa, ela ficou grávida e o baby já está com tantos meses”, “caramba, como essa criança cresceu, olha o tamanho”. Em um ano muita coisa acontece, muita mesmo. Além dos choques de atualização da vida alheia, eu também senti que os vídeos são cada vez mais uma necessidade, por exemplo, ao pesquisar maquiagem, eu senti falta de fotos, porque tudo agora é vídeo. Eu acho que o vídeo consome muito tempo, uma foto é muito mais rápido. Vídeos são legais e ajudam a avaliar melhor o trabalho, mas as redes sociais não podem virar só vídeos, chato demais.
Quando desinstalei o app do celular, eu deixei minha conta privada e arquivei quase todos os posts, só deixei dois que explicavam o porquê eu estava ficando off. Ao voltar, mantive muita coisa arquivada ainda, e mantive a conta privada. Esse tempo off me fez refletir sobre como as minhas fotos e dados sobre a minha rotina ficam expostos tão facilmente, e me deu um medinho.
Eu já evitava postar fotos da minha família, como forma de preservar eles que já são mais low profile devido a geração. Mas, após ficar um ano sem Instagram, esse cuidado tornou-se ainda maior. Minha família é o meu maior bem, preservar eles online é também uma forma de cuidado. As pessoas estão cada vez mais doidas e fotos que para mim são inocentes e fofas, para outros pode ser um prato cheio para a maldade.
O que aprendi nesses doze meses sem Insta
Nesse um ano sem Instagram eu pude me desintoxicar de muitas coisas, dentre elas, duas se destacam: a necessidade de mostrar minha vida e conquistas, e a comparação.
As pessoas não precisam saber tanto assim da minha vida, e é tão fácil você postar algo e depois ficar lá “comendo migalhas” de cada like e comentário que recebe ou de quantas pessoas visualizaram seu story.
Além de não precisar mostrar tanto a minha vida, eu também aprendi que não preciso saber tanto da vida dos outros. As redes sociais jogam um balde de informações e o nosso cérebro não tem a capacidade de armazenar tanta coisa. Mexer pouco no insta dá uma paz mental que você nem imagina, só vivendo a experiência para você sentir o quanto estava exausto mentalmente.
E, sobre a comparação, passei a apreciar muito mais a minha vida, pude estar presente nos meus dias, e isso me fez enxergar o quanto a minha vida é bela e completa. O aumento da satisfação pessoal está muito ligado à queda da comparação. Quanto mais estou feliz comigo, menos eu me comparo. Se amar é bom demais, é libertador!
Por fim, te agradeço por ler tudo isso e te incentivo a ficar um tempo sem redes sociais, não precisa ser um ano, você pode começar com dias, semanas e depois meses. Ficar off nos mostra o quanto vale a pena estar presente no mundo real, fora das telas.
Um abraço, Vanessa Campos.

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